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Notícia 4 min de leitura

Contrato Internacional: Por Que a Cláusula de Arbitragem Faz Diferença

Empresa que compra ou vende para o exterior precisa saber onde resolver disputa. Entenda por que a arbitragem é mais previsível que o Judiciário estrangeiro.

Empresas que compram ou vendem para o exterior, comuns em praças portuárias como Santos, enfrentam uma pergunta que muitas vezes só aparece tarde demais: se o parceiro estrangeiro não cumprir o contrato, onde e como a empresa brasileira vai buscar seus direitos? A resposta certa começa antes da assinatura, na cláusula que define como eventual disputa será resolvida.

O problema de litigar no Judiciário de outro país

Processar uma empresa estrangeira no Judiciário do país dela, ou trazer o litígio para o Judiciário brasileiro contra uma empresa sediada fora, esbarra em obstáculos práticos relevantes: diferenças de idioma, de sistema jurídico, e a necessidade de homologar no Brasil qualquer decisão obtida no exterior, processo conduzido pelo Superior Tribunal de Justiça que pode levar tempo considerável antes de a decisão produzir efeito prático no país.

Por que a arbitragem resolve boa parte desse problema

A arbitragem internacional oferece um caminho mais previsível: as partes escolhem previamente as regras do procedimento, o idioma, a sede da arbitragem e a lei aplicável ao contrato. A sentença arbitral estrangeira, diferente da decisão de tribunal judicial estrangeiro, tem reconhecimento facilitado no Brasil e em mais de cento e sessenta países signatários da Convenção de Nova Iorque de 1958, da qual o Brasil também faz parte, o que torna sua execução muito mais previsível do que a de uma sentença judicial estrangeira comum.

Caminho Reconhecimento no Brasil
Sentença judicial de tribunal estrangeiro Homologação pelo STJ, processo mais incerto
Sentença arbitral estrangeira Reconhecimento facilitado pela Convenção de Nova Iorque

O que a cláusula de arbitragem precisa definir

Uma cláusula arbitral bem redigida define a instituição que vai administrar o procedimento, a sede da arbitragem, o idioma do processo, o número de árbitros e a lei material aplicável ao contrato. Cláusulas vagas ou incompletas, conhecidas informalmente como cláusulas patológicas, podem gerar disputa apenas sobre como o procedimento vai funcionar, antes mesmo de discutir o mérito do problema.

Confidencialidade como vantagem adicional

Diferente de processos judiciais, que em regra são públicos, a arbitragem tradicionalmente preserva sigilo sobre o conteúdo da disputa, o que interessa especialmente a empresas que não querem expor detalhes comerciais sensíveis a concorrentes ou ao mercado.

Checklist para contratos internacionais

  • Inclua cláusula de arbitragem clara, com instituição, sede, idioma e lei aplicável definidos.
  • Evite cláusulas vagas que possam gerar disputa sobre o próprio procedimento arbitral.
  • Considere a Convenção de Nova Iorque ao avaliar a executabilidade da decisão no Brasil.
  • Avalie a confidencialidade da arbitragem como proteção adicional para informações sensíveis.
  • Revise contratos já assinados que não tenham cláusula de resolução de disputa clara.

Contrato internacional sem cláusula de arbitragem bem redigida é aposta em como resolver um problema que ainda nem aconteceu.

Rodrigo Kfouri Laurindo é advogado, mediador e árbitro, sócio fundador da Farah & Laurindo Sociedade de Advogados. Atua nacionalmente em contratos internacionais e arbitragem.

Perguntas frequentes

Por que não simplesmente processar a empresa estrangeira no Brasil?

É possível em certos casos, mas executar a decisão contra bens localizados no exterior costuma exigir novo processo de reconhecimento no país onde estão os ativos, o que é mais previsível na arbitragem internacional.

Sentença arbitral estrangeira é fácil de executar no Brasil?

Mais fácil do que uma sentença judicial estrangeira comum, graças à Convenção de Nova Iorque de 1958, da qual o Brasil é signatário.

O que é uma cláusula arbitral patológica?

É uma cláusula mal redigida ou incompleta, que gera disputa sobre como o próprio procedimento arbitral deve funcionar, atrasando a resolução do problema de fundo.

Arbitragem é mais cara que o Judiciário?

Pode ter custo inicial mais alto, mas tende a ser mais rápida e previsível em disputas internacionais, o que muitas vezes compensa o custo diante do tempo e da incerteza do caminho judicial tradicional.

Rodrigo Kfouri Laurindo

Rodrigo Kfouri Laurindo

Advogado, sócio da Farah & Laurindo Sociedade de Advogados, com atuação em direito tributário, empresarial e patrimonial. Mediador e árbitro certificado.

Farah & Laurindo Sociedade de Advogados

Casos complexos exigem análise técnica, estratégia e discrição.