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Notícia 7 min de leitura

Empresas familiares: por que conflitos costumam surgir na segunda geração

Existe uma estatística cruel e conhecida no mundo das empresas familiares: a maioria não sobrevive à passagem da segunda para a terceira geração. E o motivo, na imensa maioria dos casos, não é o mercado nem a falta de competência. É o conflito interno. Curiosamente, esse conflito raramente explode com o fundador vivo e no comando; ele costuma surgir na segunda geração, quando os irmãos assumem o lugar do pai ou da mãe. Entender por que isso acontece é o primeiro passo para evitar que a empresa construída com tanto esforço se desfaça nas mãos de quem deveria continuá-la.

Esta matéria explica por que a segunda geração é o ponto crítico das empresas familiares e como prevenir a ruptura. O tema integra as áreas de governança, sucessão e societário do escritório.

O fundador segura, a segunda geração negocia

Enquanto o fundador está à frente, a empresa tem uma autoridade central indiscutível. Ele decide, e os filhos, ainda que discordem, respeitam a palavra final de quem construiu tudo. Essa figura natural de comando mantém a paz, mesmo sem regras formais. O problema é que essa autoridade não se transfere automaticamente.

Quando o fundador sai de cena, os irmãos passam a ser sócios entre iguais, sem aquela autoridade central que antes resolvia os impasses. Agora é preciso negociar, e decisões que antes eram tomadas por uma só pessoa passam a depender de consenso entre pessoas com visões, necessidades e personalidades diferentes. É aí que o conflito, antes contido pela figura do fundador, encontra espaço para surgir.

Por que a segunda geração é o ponto de ruptura

Vários fatores convergem na segunda geração. Os irmãos têm participações parecidas, sem um líder natural. Cada um construiu sua própria família, com necessidades financeiras distintas. Alguns trabalham na empresa, outros apenas recebem como sócios, gerando tensão sobre quem contribui e quem só participa. E, sem regras combinadas, cada divergência vira uma negociação do zero, sob a carga emocional das relações familiares.

Some-se a isso a ausência, comum, de uma estrutura de governança. O fundador, que resolvia tudo na base da autoridade, muitas vezes não deixou regras escritas. Os filhos herdam, então, uma empresa sem o manual de como decidir sem ele. É a receita do impasse, e dos conflitos que, somados, podem paralisar ou destruir o negócio.

Os gatilhos do conflito

Alguns gatilhos aparecem com frequência nos conflitos da segunda geração:

  • A indefinição sobre quem decide e como, na ausência da autoridade do fundador.
  • A divisão em partes iguais entre irmãos que não se entendem, formalizando o impasse.
  • A mistura entre as finanças da família e as da empresa, sem fronteiras claras.
  • A tensão entre quem trabalha no negócio e quem apenas participa como sócio.

Cada gatilho, sozinho, já gera atrito. Combinados, podem travar a empresa. E todos têm a mesma raiz: a falta de regras combinadas para a convivência societária, o que costuma desaguar no conflito entre sócios que paralisa o negócio.

A governança como prevenção

A boa notícia é que o conflito da segunda geração é, em grande parte, evitável. A ferramenta é a governança familiar: o conjunto de regras combinadas, ainda na primeira geração, que define como a família decide, como entram e saem sócios, como se distribuem resultados e como se resolvem divergências. Estruturas como a holding familiar e o acordo de sócios são onde essas regras ganham forma.

Quando o fundador combina essas regras enquanto está vivo e no comando, ele entrega à segunda geração não só a empresa, mas o manual de como conduzi-la sem ele. É a diferença entre irmãos que seguem regras combinadas em tempos de harmonia e irmãos que precisam improvisar sob conflito. A governança não elimina as diferenças, mas dá um caminho para resolvê-las sem destruir a empresa.

Quando o conflito já existe

E quando a segunda geração já está em conflito, sem que regras tenham sido combinadas antes? Ainda há caminho. A mediação, conduzida por quem entende tanto da técnica quanto da dinâmica familiar, costuma construir entendimentos que pareciam impossíveis, preservando a empresa e, quando dá, as relações. O tema é tratado na matéria sobre como a mediação preserva empresas e famílias.

A mediação tira o conflito da lógica da guerra e o coloca na lógica da solução. Para uma família empresária em crise, ela pode ser a diferença entre uma ruptura definitiva e uma reorganização que salva o negócio e poupa as relações.

Rodrigo Kfouri Laurindo é advogado e sócio fundador da Farah & Laurindo Sociedade de Advogados, mediador e árbitro. Atua nacionalmente em planejamento patrimonial e sucessório, holdings, direito empresarial, societário e tributário.

O conflito da segunda geração é, em boa parte, evitável com governança combinada a tempo. E, quando já existe, a mediação pode preservar a empresa e a família.

Perguntas frequentes

Por que conflitos surgem na segunda geração das empresas familiares?

Porque a autoridade central do fundador, que mantinha a paz, não se transfere automaticamente. Os irmãos passam a ser sócios entre iguais, sem um líder natural, e precisam negociar decisões que antes eram tomadas por uma só pessoa. Sem regras combinadas, cada divergência vira um impasse.

O que mais causa conflito entre irmãos sócios?

A indefinição sobre quem decide, a divisão igual entre quem não se entende, a mistura entre finanças da família e da empresa, e a tensão entre quem trabalha no negócio e quem apenas participa. Todos têm a mesma raiz: a falta de regras combinadas para a convivência societária.

Como prevenir o conflito na sucessão de uma empresa familiar?

Com governança familiar combinada ainda na primeira geração: regras sobre como a família decide, como entram e saem sócios e como se resolvem divergências, em estruturas como a holding familiar e o acordo de sócios. Assim, a segunda geração herda não só a empresa, mas o manual de como conduzi-la.

A empresa familiar pode quebrar por causa de conflito interno?

Pode, e é a principal causa de empresas familiares não sobreviverem à passagem de gerações. Não costuma ser o mercado, e sim o conflito entre os herdeiros que paralisa ou destrói o negócio. Por isso a prevenção, com governança, é tão importante quanto a competência na operação.

O que fazer quando o conflito familiar já começou?

Buscar a mediação, conduzida por quem entende da técnica e da dinâmica familiar, que costuma construir entendimentos que pareciam impossíveis e preservar a empresa e as relações. A mediação tira o conflito da lógica da guerra e o coloca na lógica da solução, evitando a ruptura definitiva.

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Farah & Laurindo Sociedade de Advogados

Casos complexos exigem análise técnica, estratégia e discrição.